Desde criança, morria de vontade de experimentar os verdadeiros pastéis de Belém. Recentemente, tive a oportunidade de conhecer a fábrica onde tudo começou, em Lisboa.

A receita original foi criada dentro do Mosteiro dos Jerónimos. No entanto, com a Revolução Liberal de 1820, em 1834 foram encerrados todos os conventos e mosteiros de Portugal, expulsando o clero e os trabalhadores.

Assim, alguém do Mosteiro vendeu a receita dos pastéis para uma refinaria de cana de açúcar associada a um pequeno comércio, que em 1837 veio a se tornar a fábrica “Pastéis de Belém”, devido ao grande sucesso do doce.

Ao chegar em Lisboa, a fábrica foi o meu primeiro destino. Ela fica a aproximadamente 6,5 km da Praça do Comércio, e aproximadamente 1,7 km da Torre de Belém.

Pastéis de Belém Foto por Lorenzo Bernardi Entrada

Fotografia: Lorenzo Bernardi

Os toldos e portas azuis da fábrica atraem o olhar de quem passa. A minha visita foi no mês de Abril, todavia o fluxo de visitantes era intenso. A maioria dos clientes comprava os produtos no balcão para comer depois, ou em pé na rua. Eu optei por encarar a grande fila para sentar-me em uma mesa.

O balcão fica logo na entrada. O aroma proveniente da cozinha faz a boca salivar enquanto se passeia pelo local. As mesas são espalhadas por diversas salas, decoradas com azulejos típicos de Portugal e separadas por longos corredores, com janelas para a enorme cozinha onde tudo é fabricado. Aos fundos fica o maior salão, onde me acomodei.

Pastéis de Belém Foto por Lorenzo Bernardi Cozinha

Fotografia: Lorenzo Bernardi

Para aqueles que têm “pavio curto”, já adianto, é preciso relevar o atendimento para poder aproveitar a experiência numa boa. Após ler o cardápio, sugiro que peça tudo o que quiser de uma vez só. Devido ao grande número de clientes, é difícil chamar o garçom novamente, até mesmo para pedir a conta.

Estava acompanhado, então pedi alguns pastéis de Belém, empadinhas, risoles e dois galões (copo grande de café com leite). Quando o pedido finalmente chegou, mal tive paciência para temperar os pastéis com o açúcar de confeiteiro e canela. Queria experimentá-los prontamente. Ao dar a primeira mordida, logo percebi que a massa crocante na medida certa, folhada com finas camadas, envolvendo o creme extremamente suave, quente e com um delicioso aroma, faziam daquele o melhor pastel de nata que eu já havia comido.

Pastéis de Belém Foto por Lorenzo Bernardi Comida

Fotografia: Lorenzo Bernardi

Os salgados não ficam atrás dos doces. Se não estivesse satisfeito, com certeza pediria mais. Não comprei nada para levar, mas vi que as caixas dos doces eram bonitas e faziam uma boa lembrança para quem mora lá. Conheço algumas pessoas que compraram as caixinhas e trouxeram para o Brasil no dia seguinte. Entretanto, acredito que o que faz o pastel de Belém gostoso é o frescor dos ingredientes e o fato dele estar recém feito quando você come na fábrica.

Em Lisboa, são chamados de pastéis de Belém apenas aqueles que são feitos no bairro de Belém. No restante da cidade eles são vendidos como “pastéis de nata”. Provavelmente, enquanto você estiver visitando o bairro, alguém vai sugerir os pastéis de cerveja, os quais eu provei e não recomendo!

No Bairro Alto, existe uma manteigaria famosa chamada Manteigaria Fábrica de Pastéis de Nata. Fica localizada na Praça Luís de Camões. Alguns consideram os seus pastéis de nata melhores que os de Belém. Fiz a comparação e concluí que a diferença principal está no creme, que é menos doce, com alguma especiaria que não consegui identificar. O lugar em si é bem pequeno. Os clientes pedem no balcão e comem nos bancos da praça. Enquanto estiver visitando o Bairro Alto, sugiro a visita para tirar as suas próprias conclusões e escolher qual é o seu favorito.

A fábrica Pastéis de Belém fica na Rua de Belém, 84-92, em Lisboa, Portugal.